Selvática Ações Artísticas

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como colocar uma máquina para funcionar ou como montar uma maquínica

10 Jan 2018

“Uma máquina não é apenas técnica, é parte de uma máquina social que usa homens como peças de sua engrenagem. O mecênico é parte da máquina mesmo quando deixa de exercer a sua profissão. A máquina da justiça inclui escritórios, livros, símbolos, mas também mulheres, acusados, fluxos eróticos. Não existe máquina puramente técnica, toda máquina já é parte de uma máquina mais ampla, de uma máquinica e de uma maquinação na qual entram os desejos e as conexões.”

Peter Pál Pelbart

 

 

Alô? Aqui fala Hugo Bola. No coração das trevas. Sob o sol da tortura. Para as metrópoles do mundo. Essa fala é um primeiro grito em meio a uma chuva forte que cai quando um grupo de artistas de cabaré diz: vamos para a rua! Alguma coisa me dizia que tudo isso teria o gosto tenro de uma batata crua dividida em 19 pedaços agindo diretamente no inconsciente. Chuva na garagem margem abandonada lago em Straussberg Rebouças, algumas quadras daqui é construída a maior Igreja Universal do País. Set de filmagem sem diretor. Máquina monstro, engrenagens enferrujadas, ideologias ferro velho abarrotadas em um canto da Casa Selvática. Pessoas passam. Atores são mentirosos e meu avô foi idiota na beócia. Atores comprimidos pelas escolhas, atores reclamam por um espaço que os oprime como a margem de um rio. A eternidade dos 15 minutos. Atores com medo de um olho mecânico. Um filme é tentado. O fracasso será exemplar, Hamlet. A Revolta começa num passeio eletrônico, alegria (que foi a prova dos nove) é a base da morfina magia das máquinas. Humor corrosivo mendigos cinema olho. Família italiana alemã turca mestiça em um subúrbio da roça iluminada. Esse é um processo da criação de um novo homem, partido, exército, herói máquina, teatro da minha morte entre as montanhas. Esse é o diário de bordo de um coletivo de artistas criadores em diálogo com os seus cânones, desejos e paixões; é compartilhamento de reflexões e experiências, mulheres guerreiras, homens infantilizados, resposta performativa aos mecanismos de construção do fascismo e do padrão. Estamos na década de 60? 90? Polanski? Kantor? Müller? Drumond? Vocês estão aí? Construímos dos restos de nossos heróis mortos de overdose uma máquina espetacular. E nesse instante acima de mim surgiu o esperado avião. Sem refletir eu sabia que aquele aparelho era o que meus avós chamavam de Deus.

Sejam todos bem vindos ao Cabaret Macchina!

 

Hugo Bola

 

 

 

 

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