Selvática Ações Artísticas

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EU MINHA CARNE DE MULHER

18 Feb 2018

A vez é da mulher. O homem uma paisagem abandonada, terra devastada, arrasada. A terra só é plana para os imbecis. Um dia a poesia ganhará status de constituição! Um dia todas as cadelas do mundo, todas as putas do mundo se unirão, se darão mãos, vão ladrar nas portas dos palácios dos governos e dos infernos, descabeladas e bem nutridas, amorosas e armadas. No meio das coxas a morte tem uma esperança. A árvore pode até crescer por cima de mim se eu tiver vencido. O homem que agarre o homem, que amor de homem é uma cantilena. Antes derramar o sangue das mulheres da Cólquida por fidelidade ao que é finito do que perpetuar uma espécie desvairada e tola. Eu não. Não para cima de mim, já disse: se essa árvore quiser crescer por cima de mim, terá que batalhar. Meu amável cadáver me restituirá daquilo de que fui deposta. Antes quero dançar sobre a mesa dos convivas e chutar a comida dos comensais. Queres comer meu coração? Venda o jantar para comprar o almoço. Queres ter comigo? Meu ventre tu não humilharás. Meus dedos brincando na vagina: você olha mas não toca. Rasgo a roupa de guizos do filósofo: falo do coração das trevas, sob o sol de uma tortura inacabada, para as metrópoles do mundo! Falo da minha cadeira de rodas, falo enquanto sou atada, calada. Falo enquanto minha boca é lacrada, mas, novamente, esta árvore não vai crescer por cima de mim. O ventre materno não é uma via de mão única. Eu tua cadela, tua puta, eu degrau da escada da tua glória. Tua queda irreversível, tua carne comida de vermes, teus ossos irão pagar essa dívida. Eu me deito no caixão, eu me deito no rio, eu me deito no mar, eu durmo com a cabeça no fogão. Tivesse eu permanecido o animal que fui antes que um homem me fizesse sua mulher. O que dá para fazer agora é dançar. E a tudo filmar. As ruínas da Europa o cenário da minha morte. Tapa-me os poros o ouro da Cólquida, a lembrança do pai fugidio. Se tenho um buraco a mais cresce o teu medo da minha irrevogável bruxaria. Carne vai bem com carne.

 

 

     

 

 

- Abre as pernas, Hamlet, é pelo cu que vou te foder.

 

 

 

 

 

Essa cena - que significa tudo - terminará num striptease em uma piscina barrenta em Beverly Hills, na fornicante Califórnia.

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